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| A imagem é do incrível australiano Shaun Tan. |
- Fernando Pessoa
Eu tenho e sempre tive uma certa despreocupação com o tempo. Não algo assim tão consciente e não exatamente o dos relógios, mas vivo naquela impressão de que irá sempre dar tempo: procrastino e às vezes invento mil desculpas para não fazer agora, e além de me tornar uma pessoa não muito pontual, isso acontece até mesmo com as minhas mais profundas ambições. É praticamente uma tatuagem ruim em mim. Frustrante.
Eu gostaria de ser como certos jovens, corajosos o suficiente para despedirem-se de seus mundos e darem a cara à tapa em um novo horizonte. Pessoas capazes de irem atrás dos seus sonhos e ideais, por mais utópicos que sejam, por mais riscos que corram. Ir mesmo que com medo das incertezas do amanhã.
Eu já desperdicei mais oportunidades do que deveria e acho que cheguei nesse momento crucial da vida, de fazer a travessia.
Tudo bem, a mudança não precisa ser radical, afinal, tudo o que mais precisamos pode ter estado embaixo dos nossos narizes o tempo todo, ou ao lado, ou em algum lugar próximo, de modo que nem precisemos mudar de horizonte.
Mas eu sinto, e dessa vez muito conscientemente, que eu não conseguiria assim, não aqui. Sinto que a minha mudança precisa ser mais drástica, que preciso me afastar das pessoas que não me deixam cair e que tomam responsabilidades que deveriam ser minhas. E não me entenda mal, sou muito grato a cada uma delas... Família, amigos especiais, essas pessoas lindas que amo e me apoiaram em cada fase da minha vida, que me aceitam e gostam de mim por mais excêntrico e estranho que eu seja. Na verdade, o ponto mais difícil da minha travessia será deixar eles e deixar esse meu eu dependente deles; porém, é o que precisa ser feito.
Sei que só serei capaz de evoluir como ser humano a partir do momento que me forçar a depender mais de mim mesmo, já tenho mais de vinte anos e me conheço bem o suficiente para saber que consigo me moldar bem sob pressão.
O modo como farei isso? Vou-me embora para a cidade de São Paulo, morar e trabalhar lá, e por lá, correr atrás dos meus ideais. Ser o jovem corajoso que eu gostaria de ser. Corajoso o suficiente pra acreditar em mim, levantar a bandeira do "eu posso, eu consigo!" e ir.
som que muito tem a ver com o texto:
Fixed at Zero / VersaEmerge
PAPO-SOLTO:
